27/06/2015: Portal RD1 - Totia Meireles fala sobre carreira e musical Nine - Um Musical Felliniano

     Cantar, dançar e interpretar. Fato raro entre atores brasileiros. Respeitada no teatro musical e no meio artístico, Totia Meireles é sempre requisitada por produtores de musicais. Atualmente, Totia dá vida à Lili La Fleur, uma produtora de cinema e ex-vedete do Folies Bergèries em “Nine – Um Musical Felliliano”, assinado por Charles Muller e Claudio Botelho, que está em cartaz em São Paulo.
    Mas foi na televisão que Totia chamou a atenção do grande público após interpretar mulheres de temperamento forte e marcante, como em “O Clone”, “América”, “Caminho das Índias”, “Amazônia – de Galvez a Chico Mendes”, e, claro, “Salve Jorge”, na pele da traficante de mulheres e bebês Wanda. Por trás de todos esses sucessos está a autora Glória Perez: “Ela é a minha madrinha na televisão. Ela me chamou eu vou de olhos fechados”.
   A carreira de Totia também está ligada a grandes clássicos da teledramaturgia brasileira, entre eles, “Que Rei Sou Eu?”, “Mulheres de Areia”, “Escolhinha do Professor Raimundo”, “Suave Veneno”, “Malhação”, “Duas Caras”, “Casos e Acasos”, “A Diarista”, “Carga Pesada”, “Cobras e Lagartos”, “Fina Estampa” e “Alto Astral.”
    Em entrevista exclusiva ao RD1, a atriz conta detalhes dos bastidores de “Salve Jorge”, e da composição de sua nova personagem – uma vedete – Lili La Fleur. “Ela tem poder e sedução. Chamei a Rogéria para me dar umas dicas. Rogéria foi vedete em Paris”, declara.
Confira a íntegra da conversa:
RD1 – Em “Nine – Um musical Felliliano”, você divide a cena com Beatriz Segall, que ficou marcada por interpretar uma vilã inesquecível – Odete Roitman. A Wanda é a sua Odete? Gostaria de ficar marcada pela Wanda?

Totia Meireles - Coitada, ela não vai se livrar nunca mais. Assim como a Maria de Fátima foi pra Glorinha. São épocas diferentes. Não, espero que não. Eu não quero ficar marcada com a Wanda (risos).

RD1 – Como era a troca de informações com a autora Glória Perez?

Totia Meireles - Eu assisti a alguns filmes. Ela me passava tudo. A Glória entrevistou uma traficante do Sul. Nas conversas que ela manteve com a traficante, ficou claro que ela dopava as crianças para elas não chorarem ao entrarem no hotel pra serem vendidas. Ela foi condenada. Ela disse que não dopava, mas são histórias reais. Existia mesmo.

RD1 – A grande vilã era a Lívia, mas a Wanda era quem assumia os crimes…

Totia Meireles - A Wanda era mais vilã por ela colocar mais a mão na massa. A Lívia era uma testa de ferro. Ninguém poderia desconfiar dela. Ela tinha que estar acima de qualquer suspeita.

RD1 – A Wanda foi um sucesso, ganhou destaque nas redes sociais…

Totia Meireles - A Wanda foi ganhando uma força que nem a Glória sabia que ela tinha. Juntou o meu trabalho, o da direção e o da Glória. Nos workshops, eu perguntava pra Glória: ‘A Wanda mata?’. E ela respondia: ‘Não. A Lívia mata. A Wanda, não’. A Wanda não só matou, mas atropelou, deu marcha ré e passou por cima do companheiro dela [Junno Andrade]. A força que a Wanda ganhou nem a Glória sabia. Isso só acontece em uma obra aberta. Poderia dar certo ou não. E a Wanda deu muito certo.

RD1 – Como era a reação do público nas ruas? Tinha brincadeiras ou uma tensão ao te encontrar?

Totia Meireles - Várias reações. As pessoas chegavam e falavam: ‘Eu adoro o seu trabalho, mas estou te odiando’. Ou as mães escondiam seus filhos, enquanto os maridos e namorados falavam: ‘Leva ela’. Mas tudo na brincadeira.

RD1 – Com a Glória você conquistou grandes papéis. Ela é a sua madrinha na televisão?

Totia Meireles - Total. Eu devo muito a Glória. Ela acredita muito no meu trabalho. Vem desde “O Clone”. Em “O Clone” eu só iria fazer a primeira fase, mas a minha parceria com a Vera Fischer deu tão certo que ela me deixou pra segunda fase. Depois, ela meu deu uma personagem incrível em “América”, eu era par romântico do Marcos Frota, com trilha inédita do Roberto Carlos em uma novela, mãe da Cléo Pires, do Duda Nagle. Depois veio “Caminho das índias”. Ela sempre me deu os meus melhores personagens. Ela é a minha madrinha na televisão. Ela me chamou eu vou de olhos fechados.

RD1 – Há poucos meses, você fez parte de “Alto Astral” e mudou um pouco as suas parcerias…

Totia Meireles - Trabalhei agora com o Daniel Ortiz e com o Sílvio de Abreu e foi incrível. Daniel me deixou no escuro. Pra composição e pra mim foi incrível. Me possibilitou várias interpretações. Com o Wolf Maya eu fiz a Zambese, mulher dele em “Fina Estampa”, do Aguinaldo Silva. No teatro temos uma parceria muito grande. Fizemos “Noviças Rebeldes”, por anos, e “Garota Glamour”, na abertura do teatro dele em São Paulo.

RD1 – Falando em parcerias, você também é uma das atrizes preferidas dos produtores de “Nine”...

Totia Meireles -  Eu já saí da montagem de “Os Monólogos da Vagina” – e vim direto para uma peça dos meninos [Charles Muller e Claudio Botelho] sem saber o que era. Fui no escuro. Quando cheguei no primeiro dia de leitura da peça vi que era a protagonista. Eles escreveram pra mim. Eu não sabia. Eles me chamando aqui eu vou. Glória chamando lá eu vou.

RD1 – Há um preconceito com o ator brasileiro. Dançar, cantar e interpretar é bem comum nos EUA e Europa…

Totia Meireles - O ator brasileiro é muito talentoso. Ele não tem essa formação em teatro musical. A gente nunca estudou. O brasileiro faz tudo muito na raça. Hoje temos um teatro musical. Antes tinha um teatro musicado. A chanchada, o teatro de revista. Mas é muito difícil você pegar um ator que cante, dance e interprete porque, às vezes, interpreta e canta, mas não dança. Então, o personagem de musical precisa que ele cante, dance e interprete. Nós ainda temos poucos atores, mas a gente tem aí uma nova geração incrível. Precisa ter mais a parte da interpretação. Às vezes, é difícil deixar alguém de fora, mas quando pega um protagonista tem um peso de interpretação e aí ainda falta.


RD1 – Suas personagens possuem características únicas. Todas transbordam vitalidade. Em “Nine” não é diferente. Lili La Fleur é sensual e exala poder. De onde vem essa força?

Totia Meireles - Eu sou um pouco mandona na vida (risos). Eu não aprendi, vem comigo. É uma coisa minha. Mas aqui ela é um poder total. Ela é quem manda, ela é um pouco mafiosa, ela tem um glamour da vedete. Ela tem que juntar o poder, a sedução – que o produtor te seduz pra ele fazer o que ele quer -, então, vai juntando a vedete do Folies Bergèries pra montar a Lili La Fleur.

RD1 – Como foi o processo de composição da Lili?

Totia Meireles - Eu chamei a Rogéria para me dar umas dicas. Eu faço um número de plateia, mando acender as luzes… Rogéria foi vedete em Paris. Elas possuem um glamour. Só elas sabem fazer… Já o figurino é assinado pelo estilista Lino Villaventura.

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