O Globo: Totia Meireles fala do sucesso aos 54 anos com a Wanda,de 'Salve Jorge'

 "A personagem cresceu além do esperado",diz Totia Meireles,sobre 'Wanda'.
RIO - China, Vietnã ou Japão. Assim como faz ao final de cada trabalho, Totia Meirelles quer viajar tão logo encerre as gravações de “Salve Jorge”, em maio. A atriz ainda não decidiu para qual dos três países asiáticos viajará nas suas férias, mas está certa de que passará uns dias em Londres. Ela pode ter certeza também de que a folga virá depois de seu maior sucesso numa carreira pautada por papéis coadjuvantes na TV e musicais no teatro.
   Sem se deslumbrar com a popularidade recém-conquistada, ela sabe que Wanda, é um tipo ímpar em sua galeria de personagens.
— Eu já interpretei a boa amiga, a boa mãe, a boa profissional. De repente, sem esperar, veio a boa vilã — destaca a atriz, aos risos.
Não que ela desdenhe dos trabalhos anteriores. E cita, por exemplo, a Vera de “América” (2005), como importante. Para a atriz, a mãe da ninfeta Lurdinha (Cleo Pires), que revivia na maturidade o romance que teve na adolescência com o deficiente visual Jatobá (Marcos Frota), representou um upgrade em sua trajetória na TV.
— Um ator não precisa de um estouro para construir uma carreira. Existem grandes papéis coadjuvantes — aponta.
   Mas não há como comparar o apelo dos seus personagens anteriores ao de Wanda. A bandida cruel que executa sem culpa as ordens dadas pela fria Lívia (Claudia Raia), líder da quadrilha que trafica pessoas em “Salve Jorge”, é quem movimenta a ação da novela.
"Outro dia fui gravar em Copacabana e todos gritavam: “Wanda, Wanda!”. Eu falava: “Gente, mas eu sou má” (risos)."
— Eu já tive outras personagens que foram bem aceitas, mas Wanda é o primeiro grande sucesso, o de maior apelo. Outro dia fui gravar em Copacabana e todos gritavam: “Wanda, Wanda!”. Eu falava: “Gente, mas eu sou má” (risos). Não vai ser fácil conseguir outro papel assim. Sei que bons personagens para uma atriz madura são mais difíceis de serem encontrados — acredita.
   Parte de um elenco que traz Dira Paes, de 43 anos, e Giovanna Antonelli, de 37 anos, interpretando mães de jovens adultas (feitas por Nanda Costa e Mariana Rios, respectivamente), Totia, de 54 anos, também tem consciência de que a TV costuma optar por mulheres mais jovens mesmo para papéis que serviriam para atrizes maduras:
— A imagem jovem é bem mais agradável do que a de uma pessoa cheia de rugas.
   Franca, assume o uso moderado de botox no rosto.
— Todo mundo fala: “Você está tão bem”. Mas não quero parecer mais nova do que sou, nem ficar como a boneca Barbie. Aplico um toque de botox nessa região — diz, apontando para a parte do rosto acima do nariz, entre os olhos.
Para uma pessoa que lida com a imagem, Totia acredita que poderia ser um tantinho mais vaidosa do que é.
— Eu passo creminhos e tiro a maquiagem. Envelhecer é chato, mas a outra opção é pior. Estou me gostando agora, mas sinto diferença ao ver uma foto minha aos 40 anos. Hoje eu consigo entender melhor o meu corpo. Sei como o meu cabelo funciona... Quando me olho no espelho não acho de todo ruim, não — brinca.
Ela garante ser uma pessoa sem frescuras. Ao olhar para trás e avaliar a sua carreira, demonstra ter os pés no chão:
— A nossa profissão é feita de momentos, de altos e baixos. Estou saboreando esse trabalho e sei que vai acabar. A Wanda não era para ser isso tudo, nem a Gloria esperava. O personagem cresceu além do esperado.
  Atriz que já interpretou mulheres tão distintas como a Silvana, de “Cobras & lagartos” (2006), a Aída, de “Caminhos das Índias” (2009), e a Zambeze, de “Fina estampa” (2011), Totia afirma que sua proposta de carreira é “viver de trabalho e não de sucesso”.
— A gente quer bons personagens sempre, mas eu sou uma pessoa que não foca tanto na profissão. Eu não corro muito atrás. E não sou tão ambiciosa dentro da minha carreira. Tem gente que fala: “Quero ser protagonista”. Eu vou deixando as coisas acontecerem — revela a atriz, que já encarou os papéis centrais nos musicais “Cristal Bacharach” (2005) e “Gypsy (2010).
Com exceção de “Cobras & lagartos”, trama de João Emanuel Carneiro exibida às 19h, Totia só aparece na TV no horário nobre nos últimos anos. A atriz também costuma estar em quase todas as tramas da autora de “Salve Jorge”.
— Gloria diz que eu falo bem o texto dela e me escala para bons personagens. Eu ainda estava fazendo “Cobras” quando “Amazônia, de Galvez a Chico Mendes” (2007) foi exibida. Nos nós encontramos e ela me disse: “Você está me traindo!”. Quando a novela acabou, ela me colocou numa participação de três capítulos da minissérie — conta.
"No meio da faculdade apareceu o teste para o musical. Gostei e comecei a carreira"
   Bailarina de formação, Totia começou a faculdade de Educação Física com o intuito de abrir uma escola de dança. O convite para integrar o elenco do musical “Chorus line”, protagonizado por Claudia Raia no começo da década de 1980, foi responsável pela mudança de seus planos.
— No meio da faculdade apareceu o teste para o musical. Gostei e comecei a carreira — resume Totia, que chegou a substituir Claudia no papel principal do espetáculo.
   A amizade entre as atrizes começou ali. Hoje, garante, as duas dão risadas nos bastidores de “Salve Jorge” quando ouvem boatos dando conta de que Claudia estaria enciumada com o sucesso de Totia.
— Nós somos amigas de uma vida inteira. Torcemos uma pela outra — afirma a atriz, que passou por humorísticos como “Escolinha do Professor Raimundo” no começo da carreira na televisão, nos anos 1990: — Fiz muita coisa de comédia e trago isso para os meus personagens das novelas. Até para a Wanda eu uso uma vírgula de humor. Ainda mais quando estou ao lado da Claudia. Se deixar, a gente pira, mas não é essa a proposta. Senão, vira “Zorra total”.
Dona de uma sorriso largo, Totia diz ser o tipo de pessoa que não alimenta mágoas:
— Eu posso até ficar com raiva na hora em que acontece alguma coisa, mas dois minutos depois já passou. Já tive um carro sem seguro que foi roubado. Cheguei na esquina e ele não estava lá. Quer saber se chorei? Não. Eu não choro nessas horas.
O que leva Totia às lágrimas são outros sentimentos, como os que vieram ao assistir, no cinema, o musical “Os Miseráveis”. Também se viu aos prantos diante da TV na cena em que a personagem de Dira Paes acredita na falsa morte da filha em “Salve Jorge”.
  Nascida no Rio, a atriz passou boa parte da infância em Cuiabá por conta da carreira do pai militar. Ainda tem parentes na capital do Mato Grosso, considerada por ela sua “cidade do coração”. Casada com o médico Jaime Rabacov há 21 anos, ela vem de uma família numerosa: tem cinco irmãs e dois irmãos.
Por muito tempo, Totia perseguiu a vontade de ser mãe. E, aos 36 anos, chegou a fazer tratamento para engravidar, antes de decidir que a maternidade não faria parte dos seus planos.
— É difícil tomar a decisão de não ser mãe. Durante anos eu quis. Mas chega uma hora em que você não sabe mais se a vontade é sua. Eu percebi que não era a minha. Já fui cobrada por isso. Tenho uma sobrinha de 30 e poucos com essa angústia. Eu digo: “Para e pensa se você quer mesmo ou se é a sociedade que impõe isso, se é a sua criação” — conta.
   A atriz, que se considera avó e participa da criação dos filhos de sua enteada — Santiago, de 4 anos, e Pilar, de 6 meses — mostra fotos da menina no seu celular durante a entrevista. Mas diz ser uma pessoa “totalmente fora dos padrões”:
— Sou casada, mas moramos em casas separadas. E tenho netos sem ter tido filhos.
"Eu tentei fazer análise, mas ficava tão tensa pensando sempre num assunto para falar. Acho tão bonito gente que é analisada."
  Terapia, ela só fez durante quatro meses, quando interpretou uma psicóloga em “Caminho das Índias”.
— Eu tentei fazer análise, mas ficava tão tensa pensando sempre num assunto para falar. Acho tão bonito gente que é analisada. O papo é outro. Eu queria ser essa pessoa — diz.
   Totia é uma mulher que não abre mão dos pequenos prazeres. Adora tomar um vinho acompanhada do marido, que mora na Serra fluminense e passa os fins de semana com ela no Rio. E diz que acordar apenas na hora em que o sono acaba é sinônimo de luxo.
— Adoro trabalhar, mas sabe mesmo de que mais gosto? De não fazer nada! Eu seria uma pessoa feliz mesmo sem fazer nada — assume, enfática.
No momento, isso é impossível. Wanda ocupa boa parte do tempo da atriz, que tem gravado muitas de suas cenas madrugadas adentro. Ela sabe que é uma fase e não reclama. Só tem uma reivindicação a fazer:
— Já apanhei muito nesta novela. Também queria bater um pouco.

1 comentários:

  1. Anônimo disse...:

    Totia, minha linda, magnífica atriz.
    Acabei de ver você no GNT com seu maridão. Fiquei apaixonada pelo casal. Que homem maravilhoso que você tem, um verdadeiro príncipe.

    E você merece, pois parece uma pessoa maravilhosa, mas seu marido parece aquela alma que toda mulher espera encontrar.

    PARABÉNS E MUITAS FELICIDADES.