Totia Meireles quer vilã depois de fazer hippie em 'Fina Estampa'

    A exaltação e a vitalidade parecem ser os principais combustíveis de Totia Meireles. A atriz é conhecida pelos sucessivos papeis de "boa gente" na TV. E eles são muitos. Bem antes da simpática natureba de Fina Estampa, mais precisamente há 22 anos, ela já se destacava na trama Que Rei Sou Eu?, do perspicaz Cassiano Gabus Mendes, sua estreia nas telinhas.
   Desde então, Maria Elvira - como foi batizada em Cuiabá, onde nasceu - não parou mais. Só na Globo, foram 17 novelas, sem contar suas passagens pela Band, com Perdidos de Amor, ou pela extinta Manchete, em Pantanal. Mas esta atriz de 53 anos só começou a se destacar mesmo após a divertida Vera, de América, em 2005. De lá para cá, somou alguns de seus trabalhos de maior sucesso com os autores Aguinaldo Silva e Glória Perez.
    A atriz, que antes da novela das 21h fez uma participação no seriado Divã, em 2011, como uma charmosa dona de galeria de arte, teve de colocar longos apliques para seduzir o público como a acolhedora Zambeze, mais parecida com uma sobrevivente da era hippie. "É ótimo fazer personagens do bem, porque as pessoas passam a amar você. Todo mundo diz que ela é solar, tranquila, agrega as pessoas. Mas agora estou louca para fazer uma vilã antipática!", afirma.
Confira o que a atriz tem a dizer sobre seu momento atual a seguir: 
TV Press - Você é extremamente agitada, mas começou a praticar ioga por causa da personagem hippie e para aprender a relaxar. Como foi essa 
composição?
Totia Meireles -
Realmente, sou muito inquieta, e ela é muito mais "light", tem um ritmo bem devagar. Procurei a ioga para buscar esse relaxamento porque ela medita. Eu nunca havia meditado na vida. Tive de fazer dez aulas de ioga que me ajudaram muito. Toda vez que começo a gravar, lembro da sensação de paz do final da aula. É essa pessoa que eu quero que a Zambeze seja. De resto, gosto de trabalhar a partir do texto. Mesmo porque às vezes faço uma composição e o autor tem uma outra visão. Não adianta compor sozinha, tem de jogar junto. Ela é totalmente paz e amor, mas não era assim: descobriu essa onda e leva essa filosofia de vida para a alimentação, para o estilo de viver e o relacionamento com as pessoas. 
Terra - Como tem sido contracenar com o diretor da novela em cena, já que o Wolf Maya também interpreta seu marido na trama?
Totia -
É divertidíssimo, afinal somos amigos há 25 anos. Meu segundo trabalho profissional no teatro foi com o Wolf, então isso ajuda na intimidade do casal nas cenas. Ficamos muito à vontade. Para mim, o Wolf é um dos melhores diretores de atores. Sou enlouquecida por ele. Ele faz um trabalho impressionante, a maneira que dirige, como dá o tom dos personagens no início. Como ator, ele incorpora de uma forma que ele mesmo se esquece como diretor. 
Terra - Quase todas as suas personagens na TV são mulheres fortes, decididas e amigas. A que você atribui a escalação para papeis tão parecidos?
Totia -
Não sei! Estou louca para fazer uma vilã (risos)!. Quero uma mulher antipática. Faço muitas mães, amigas, sempre a pessoa bacana. Queria fazer uma coisa diferente. Mas cada uma teve algo bem diferente da outra, porque tentei fazer de formas distintas. Mas é difícil, pois as personagens que fiz são muito contemporâneas. Mas a que mais se sobressaiu foi a Vera, de América. Ela dividiu minha carreira. Passaram a me respeitar mais como atriz depois dela. Ela era o grande amor do ceguinho vivido pelo Marcos Frota e foi a estreia da Cléo Pires na TV, que fazia minha filha na novela. 
Terra - América foi um dos seus muitos trabalhos com a Glória Perez, e Fina Estampa é sua terceira novela do Aguinaldo. Como esses dois autores de estilos diferentes conduziram sua carreira?
Totia -
Com a Glória, tenho uma relação antiga. A primeira novela que fiz dela foi O Clone. Depois, América. Devo a ela e ao diretor Marcos Schechtman meu "upgrade" na Globo. Ela até disse que eu a traí quando fiz Cobras & Lagartos (risos) porque afirmou que eu falo muito bem o texto dela. Com o Aguinaldo, fiz Suave Veneno e Duas Caras. Agora, ele me honrou escrevendo a Zambeze pensando em mim. 
Terra - Além da TV, você sempre se dedicou muito ao teatro, principalmente aos musicais, pelo fato de ter começado a carreira como dançarina. Em breve, você volta aos palcos com a adaptação de Next Normal. Como se desenvolve essa área em sua carreira?
Totia -
Sou enlouquecida por musicais. Meu primeiro trabalho foi Chorus Line. Comecei como bailarina, dançando e dando aula. Percebi que poderia ser atriz fazendo um musical. Eu adoro dançar, cantar, e o musical tem uma leveza e uma linguagem com as quais me identifico muito. Já fiz vários. O Next Normal, que deve se chamar Perto do Normal, é um projeto com rock e banda no palco. Vou interpretar uma mulher meio esquizofrênica e bipolar que perde o filho e continua vendo ele crescer. É meio "heavy", mas lindo. O Tadeu Aguiar deve dirigir. Assisti em Nova Iorque e falei: "essa mulher sou eu, não quero nem saber" (risos). 

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