Gypsy: A Suprema Ousadia

Um dos mais espetaculares musicais da Broadway, ‘Gypsy’ ganha versão brasileira de Möeller e Botelho


Quando soarem os primeiros acordes da espetacular overture, vindos de uma orquestra para Broadway nenhuma botar defeito, o público brasileiro estará tomando o primeiro contato com um dos mais admiráveis musicais de todos os tempos: “Gypsy”. A estreia oficial, para críticos e convidados, será no dia 28, mas já na próxima sexta-feira os ensaios abertos estarão acontecendo no Teatro Villa-Lobos. Dizer que trazê-lo para o Brasil é uma ousadia perde o sentido quando os responsáveis são Charles Moëller e Cláudio Botelho, cuja criação de uma vitoriosa onda de musicais no Brasil deixou de ser ousadia para se tornar realidade.
— “Gypsy” é mesmo um clássico — diz Moëller, diretor desta primeira produção brasileira. — A história é fascinante, permite várias leituras. Tem mais de 50 anos de montagens e remontagens na Broadway e em Londres. É perfeito para que a gente atinja mais uma vez o objetivo de montar clássicos de forma atraente, mas sem recorrer a modernizações que interfiram no conceito original.
Os números de fato impresionam: são 43 atores em cena, 140 figurinos, 17 cenários e 21 mudanças, tudo ao som de uma orquestra de 17 músicos regidos por Marcelo Castro. Os arranjos, naturalmente, são os originais da Broadway.
— Desde que nos entregamos ao trabalho de produzir musicais — lembra Botelho —, não abrimos mão de só fazer da maneira certa. Nem telões como cenário nem fita pré-gravada em lugar da orquestra. A vida tem sido muito generosa conosco, mas, modéstia à parte, acho que merecíamos: ninguém levou tão a ferro e fogo a vontade de fazer musicais como devem ser feitos.
Comparado a “A noviça rebelde”, outra superprodução da Broadway que os dois trouxeram para nossos palcos, “Gypsy” é superior como drama: — “A noviça” tinha muito de conto de fadas — lembra Botelho. — A história de “Gypsy”, embora passada há sete décadas, é atemporal e universal, a da mãe que tenta se realizar através das filhas.
Moëller conta que o interesse pelo espetáculo data de três anos, quando começaram os entendimentos para a compra dos direitos. Houve quem classificasse de loucura a ideia de montar aqui um musical tão caro. E com tudo o que ele tinha de desafio: o elenco numeroso, a coreografia de Jerome Robbins, as orquestrações, tudo. Mas, depois da experiência de “Company”, ele e Botelho concluíram que podiam enfrentar qualquer “loucura”.
Um exemplo disso são as treze crianças se alternam nas primeiras cenas, em que as filhas da personagem principal são ainda meninas.
Para Moëller, “Gypsy” é um musical movido a paixão. Botelho pensa da mesma forma, novamente às voltas com a versão das letras de Stephen Sondheim: — É fato que Sondheim ainda não era o letrista que se tornaria depois — reconhece Botelho. — Mas já há coisas geniais dele em “Gypsy”, rimas internas, jogo de palavras, muito verso impossível de traduzir. Como verter “Everything coming up roses” sem traduzir o o nome da personagem, Rose, como Rosa? Procurei fazer as letras para que todos compreendam, e não apenas para os entendidos em Sondheim.
Paixão, na verdade, de todos os envolvidos em “Gypsy” desde 1959, quando Ethel Merman, atrizcantora já consagrada, teria aos 50 anos o papel de sua vida. Porque “Gypsy”, mais do que a maioria dos musicais, exige isso da sua personagem. O que também apaixonou Totia Meirelles, a Mama Rose atual: — Quando vi “Gypsy” pela primeira vez, em 2003, com Bernadette Peters, me perguntei: “Quando é que teremos um espetáculo desses no Brasil?” — diz ela ainda tensa na semana que antecede a estreia.
Totia não só se encantou com o convite de Botelho e Moëller (“Você é perfeita para o papel…”) como também associou-se a eles na compra dos direitos. Apesar da tensão, ela se sabe pronta: — Não me considero uma cantora — admite. — Não a ponto de fazer carreira como tal. Sou, sim, uma atriz que canta. Penso ser esta a maior exigência do papel. Fazer Mama Rose é tão fascinante quanto extenuante.
Cansa mais falar, e ela fala o tempo todo, do que cantar. Só não quero pensar em todas aquelas divas que me antecederam, Merman, Peters, Patti La Pone, que vi várias vezes na última remontagem…
Totia recorda como o musical foi acontecendo em sua vida, aos poucos, mas de forma irresistível. Começou como dançarina substituta em “A chorus line”.
Depois, fez televisão, atuou em outros musicais, brilhou em “Company” e em outros êxitos da dupla.
Pelos ensaios, o clima que envolve “Gypsy” é extensivo a todo o elenco. Nos principais papéis, Adriana Garambone (Louise, futura Gypsy Rose Lee), Renata Ricci (June, futura June Havoc, recentemente felecida), Eduardo Galvão (Herbie) e André Torquato (Tulsa), experiente ator-cantor-dançarino… de 17 anos.

3 comentários:

  1. Taiane Cecílio disse...:

    AAAA' Morri!

    Totia mega gataaa *--*
    Tenho certeza qe será sucesso.


    Totia minha DIVA MASTEER '

  1. Bárbara Volpi disse...:

    Fiquei encantada com essa matéria! Linda,linda,linda!

  1. Cíntia Jacinto disse...:

    Mt mt mt mt liiiindaa, Totia GATÉEERRIMAA *-*